Quero escrever um poema
Não sei sobre o que escreverei
Posso celebrar a humanidade
Mas esta hoje em dia não anda merecendo
Talvez em honra as estrelas
Não, assunto muito debatido
Contemplação a natureza
Também não, já me bastam os de Reis e Caieiro
Metafísica?
Nem pensar, do nada já me basta o vácuo mental
Então poesias a quê?
A arte de poetar?
Seria um tanto repetitivo.
Poesias, poesias, poesias...
Funcione imaginação!
Ah, já sei!! Escreverei um poema à falta de inspiração.
(Dito e feito...
Está pronto o poema
Resta saber, a que?)
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
sábado, 18 de agosto de 2012
Quem sou eu?
quarta-feira, 20 de junho de 2012
O elo
O
elo não é paralelo
É
um ciclo indefinido
Indefinido
e infinito
Não
é feio, tampouco é belo
É
precioso, mas
Não
é de prata
Não
é de ouro
É
flexível sim,
Não,
não é de mercúrio
Não
é de cobre...
É
forte
Ferro
não é
Presente
e denso
Mas
também não é de estanho
E
muito menos chumbo
O
elo é uma amálgama
Talvez
tenha tudo,
Talvez
não seja de nada
Crepita
, arde, aquece e flameja
É
fogo também
Desliza,
adapta, molha e reflete
Tem
água no ser
Flutua,
viaja, revela e liberta
O
vento está aqui
Protege,
firma, analisa e fortalece
É
fortaleza de terra
É
tão imaterial quanto o Akasha*
Transformador
feito o alquimista
Majestoso
feito o mago
Magistral
como o bardo
Concentrado
como o sacerdote
Consciente
como o druida
Impetuoso
como o imperador
Sábio
assim como a sibila
Temido
feito a bruxa
Cruel
como a amazona
Poderoso
como a rainha
Vivaz
como a odalisca
Conciliador
como a mãe
Belo?
Besta?
Bela
fera?
Besta
bela?
Ou
beleza besta?
Nada...
Qualquer
coisa...
Tudo,
nada...
Verbo,
tempo e espaço
Natureza,
máquina composta
Deus,
Deusa
Polar,
Magnético
Espiritual
e herético
“Religare”
O
elo é perdido
E
quando o encontramos
Encontramos
algo
E esse algo é...
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Liberdade
Há um exótico cheiro de loucura no ar. O sangue se encontra espalhado por toda parte, até que enfim as paredes velhas foram pintadas. O piso molhado há muito sem lavar, cheira à ferrugem. Encostado na parede está o cárcere e de seus pulsos vertem pequenos rios. A faca foi carinhosamente depositada no chão. A vida se esvai como um gotejar lento. A dor final é quase etérea. E é também a única coisa que realmente o fez se sentir vivo.
Enfim alguma esperança, ainda que tardia.Se soubesse que seria assim, teria feito antes, muito antes. Pouco a pouco a iluminação vai sumindo, devagar a visão se escurece. A sinfonia cardíaca diminui seu compasso. O pulmão ainda se enche de por mais uma vez.Seu sangue corre sem pressa rumo ao chão.
Delírio... o doce delírio do além. Então sua boca se abre, e por seus lábios ressecados saem seu último sopro. O corpo está vazio. O espírito foi embora, e sem clamor.
Mais um homem no esquecimento, porém mais uma alma livre.
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Há metafísica bastante em não pensar em nada
Poesia "Guardador de rebanhos , parte V",de Alberto Caeiro, um dos heteronimos de Fernando Pessoa.
Há metafísica bastante em não pensar em nada.
O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.
Que idéia tenho eu das cousas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do Mundo?
Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).
O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas cousas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.
Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores?
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
A nós, que não sabemos dar por elas.
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber que o não sabem?
"Constituição íntima das cousas"...
"Sentido íntimo do Universo"...
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.
É incrível que se possa pensar em cousas dessas.
É como pensar em razões e fins
Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados das árvores
Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.
Pensar no sentido íntimo das cousas
É acrescentado, como pensar na saúde
Ou levar um copo à água das fontes.
O único sentido íntimo das cousas
É elas não terem sentido íntimo nenhum.
Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!
(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De quem, por não saber o que é olhar para as cousas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)
Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.
Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.
E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?).
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.
Há metafísica bastante em não pensar em nada.
O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.
Que idéia tenho eu das cousas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do Mundo?
Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).
O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas cousas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.
Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores?
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
A nós, que não sabemos dar por elas.
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber que o não sabem?
"Constituição íntima das cousas"...
"Sentido íntimo do Universo"...
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.
É incrível que se possa pensar em cousas dessas.
É como pensar em razões e fins
Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados das árvores
Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.
Pensar no sentido íntimo das cousas
É acrescentado, como pensar na saúde
Ou levar um copo à água das fontes.
O único sentido íntimo das cousas
É elas não terem sentido íntimo nenhum.
Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!
(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De quem, por não saber o que é olhar para as cousas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)
Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.
Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.
E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?).
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.
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sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Por que sou cristão?
O texto abaixo é do blog Idéia Biruta,como não tenho tido muito tempo e nem paciência pra escrevr aqui,resolvi postá-lo.Eu até já o tinha mencionado em um outro post. No momento eu tenho 4 textos começados, assim que possível postarei-os.
Sendo você de qualquer (não-)religião, leia-o assim mesmo, vale a pena.
Tudo bem, já imagino que você está me xingando e perguntando “Se ser cristão não é exatamente acreditar nessa história, então o que esse biruta vai querer me convencer que significa ser cristão?” Se você parar de me xingar por um instante eu respondo.
Ser cristão significa acreditar que o único caminho para salvação (não só da alma individual, mas da própria espécie humana) é o amor a todos os seres humanos, independentemente de crença, raça, sexo, nacionalidade, idade, ou qualquer outro tipo de classificação que já tenha existido, exista, ou venha a existir. O resto, e nesse resto se inclui inclusive a existência ou não desse Jesus que a bíblia descreve, é apenas curiosidade histórica que nada tem a ver com o ensinamento que constitui a verdadeira religião.
Acho que agora poderão entender por que eu sou e continuarei a ser cristão independente do que eu acredite ou não como fato histórico e científico. Religião não tem nada a ver com história!
Sendo você de qualquer (não-)religião, leia-o assim mesmo, vale a pena.
--------
Tentando esclarecer o que seja o cristianismo quero fazer algumas perguntas aos cristãos (os não-cristãos podem pular as perguntas):- Caso você descobrisse que Jesus na verdade era um negro de cabelo enrolado; isso mudaria sua fé?
- Caso você descobrisse que Jesus nunca transformou água em vinho, ou fez qualquer dos outros milagres citados na bíblia; isso mudaria a sua fé?
- Caso você descobrisse que Jesus se casou com Maria Madalena, ou qualquer outra mulher; isso mudaria sua fé?
- Caso você descobrisse que Jesus na verdade não chegou a morrer na crucificação, e portanto não ressuscitou; isso mudaria a sua fé?
- Caso você descobrisse que a mãe de Jesus não morreu virgem, e nem mesmo era virgem quando ele nasceu; isso mudaria a sua fé?
- E agora a mais pesada de todas: Caso você descobrisse que Jesus nunca existiu em carne e osso, mas que era apenas um personagem fictício; isso mudaria a sua fé?
Tudo bem, já imagino que você está me xingando e perguntando “Se ser cristão não é exatamente acreditar nessa história, então o que esse biruta vai querer me convencer que significa ser cristão?” Se você parar de me xingar por um instante eu respondo.
Ser cristão significa acreditar que o único caminho para salvação (não só da alma individual, mas da própria espécie humana) é o amor a todos os seres humanos, independentemente de crença, raça, sexo, nacionalidade, idade, ou qualquer outro tipo de classificação que já tenha existido, exista, ou venha a existir. O resto, e nesse resto se inclui inclusive a existência ou não desse Jesus que a bíblia descreve, é apenas curiosidade histórica que nada tem a ver com o ensinamento que constitui a verdadeira religião.
Acho que agora poderão entender por que eu sou e continuarei a ser cristão independente do que eu acredite ou não como fato histórico e científico. Religião não tem nada a ver com história!
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