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sexta-feira, 8 de julho de 2011

Do geo ao egocentrismo



Durante muito tempo acreditou-se que a Terra fosse o centro do universo e que tudo orbitava em volta dela (planetas, estrelas...). Os homens defenderam essa teoria com unhas e dentes, proibindo, censurando e inclusive matando quem protestasse contra essa idéia (Galileu que o diga,quase foi nessa brincadeira).
Depois foi comprovado com a teoria heliocêntrica, que era a Terra quem girava em volta do Sol. E não o contrário como muitos pregavam. Hoje sabemos que o Sol é o Centro do Sistema Solar, mas não o Centro da nossa galáxia, a Via Láctea, e tampouco é o centro do universo.
Hoje, nós estamos vivendo nossas vidas corridas, alheios ao heliocentrismo ou ao derrubado geocentrismo. Mas ainda tomamos atitudes tão geocêntricas quanto antigamente, só que de uma forma um pouco mais mesquinha. Essa forma é hoje denominada de egocentrismo. E o seu conceito é um pouco pior que a sua forma anterior parecida, pois antigamente imaginávamos a humanidade como o centro do universo. Por outro lado hoje imaginamos o “eu”, o “ego”, (não importa a nomenclatura, use a que preferir) como o centro de tudo. O homem pensa que o mundo, a galáxia, o universo, Deus (se você acreditar), que tudo gira em torno em volta de seu pequenino umbigo.
Isso é humano, mas esse egocentrismo tem trazido atitudes nada positivas em relações aos outros, é umas das causas de coisas como o preconceito, a violência e sua irmã guerra, a intolerância, enfim é uma família bem grande.
Assim como o geocentrismo foi derrubado e comprovado como uma teoria equivocada, devemos encontrar a teoria que comprove que o egocentrismo não deve ser dominante.
Para isso, há um caminho, um método, esse método já foi ensinado por muitos. Muitos também dizem já ter ouvido falar, mas quanto aos que praticam, esses são menos da metade. O método é se lembrar do “tal do próximo” quando for fazer alguma coisa que tenha uma conseqüência (sempre têm conseqüência, seja ela forte ou fraca, instantânea ou tardia, em você mesmo ou em outro, a regra é clara). E se colocar no lugar dele sendo atingido por ações destrutivas, ou quase isso. Acredito que essa teoria deva se chamar “Fraternohumanismo”.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Fator deus

José Saramago

Algures na Índia. Uma fila de peças de artilharia em posição. Atado à boca de cada uma delas há um homem. No primeiro plano da fotografia um oficial britânico ergue a espada e vai dar ordem de fogo. Não dispomos de imagens do efeito dos disparos, mas até a mais obtusa das imaginações poderá “ver” cabeças e troncos dispersos pelo campo de tiro, restos sanguinolentos, vísceras, membros amputados. Os homens eram rebeldes.

Algures em Angola. Dois soldados portugueses levantam pelos braços um negro que talvez não esteja morto, outro soldado empunha uma manchete e prepara-se para lhe separar a cabeça do corpo. Esta é a primeira fotografia. Na Segunda, desta vez há uma Segunda fotografia, a cabeça já foi cortada, está espetada num pau, e os soldados riem. O negro era um guerrilheiro.

Algures em Israel. Enquanto alguns soldados israelitas imobilizam um palestino, outro militar parte-lhe à martelada os ossos da mão direita. O palestino tinha atirado pedras.

Estados Unidos da América do Norte, cidade de Nova York. Dois aviões comerciais norte-americanos, sequestrados por terroristas relacionados com integrismo islâmico, lançam-se contra as torres do World Trade Center e deitam-na abaixo. Pelo mesmo processo um terceiro avião causa danos enormes no edifício do Pentágono, sede do poder bélico dos States. Os mortos, soterrados nos escombros, reduzidos a migalhas, volatilizados, contam-se por milhares.

As fotografias da Índia, de Angola e de Israel atiram-nos com o horror à cara, as vítimas são-nos mostradas no próprio instante da tortura, da agônica espectativa, da morte ignóbil. Em Nova York tudo pareceu irreal ao princípio, episódio repetido e sem novidade de mais uma catástrofe cinematográfica, realmente empolgante pelo grau de ilusão conseguido pelo engenheiro de efeitos especiais, mas limpo de estertores, de jurros de sangue, de carnes esmagadas, de ossos triturados, de merda. O horror, agachado como um animal imundo, esperou que saíssemos da estupefação para nos saltar à garganta. O horror disse pela primeira vez “aqui estou” quando aquelas pessoas saltaram para o vazio como se tivessem acabado de escolher uma morte que fosse sua. Agora o horror aparecerá a cada instante ao remover-se uma pedra, um pedaço de parede, uma chapa de alumínio retorcida, e será uma cabeça irreconhecível, um braço, uma perna, um abdômen desfeito, um tórax espalmado. Mas até mesmo isto é repetitivo e monótono, de certo modo já conhecido pelas imagens que nos chegaram daquele ruanda-de-um-milhão-de-mortos, daquele Vietnã cozido a napalme, daquela execução em estádios cheios de gente, daqueles linchamentos e espancamentos daqueles soldados iraquianos sepultados vivos debaixo de toneladas de areia, daquelas bombas atômicas que arrasaram e calcificaram Hiroshima e Nagasaki, daqueles crematórios nazistas a vomitar cinzas, daqueles caminhões a despejar cadáveres como se de lixo se tratasse. De algo sempre haveremos de morrer, mas já perdeu a conta aos seres humanos mortos das piores maneiras que seres humanos foram capazes de inventar. Uma delas, a mais criminosa, a mais absurda, a que mais ofende a simples razão, é aquela que, desde o princípio dos tempos e das civilizações, tem mandado matar em nome de Deus. Já foi dito que as religiões, todas elas, sem exceção, nunca serviram para aproximar e congraçar os homens, que, pelo contrário, foram e continuam a ser causa de sofrimentos inenarráveis, de morticínios, de monstruosas violências físicas e espirituais que constituem um dos mais tenebrosos capítulos da miserável história humana. Ao menos em sinal de respeito pela vida, deveríamos Ter a coragem de proclamar em todas as circunstancias esta verdade evidente e demonstrável, mas a maioria dos crentes de qualquer religião não só fingem ignorá-lo, como se levantam iracundos e intolerantes contra aqueles para quem Deus não é mais que um nome, nada mais que um nome, o nome que, por medo de morrer, lhe pusemos um dia e que viria a travar-nos o passo para uma humanização real. Em troca prometeram-nos paraísos e ameaçaram-nos com infernos, tão falsos uns como outros, insultos descarados a uma inteligência e a um sentido comum que tanto trabalho nos deram a criar. Disse Nietzsche que tudo seria permitido se Deus não existisse, e eu respondo que precisamente por causa e em nome de Deus é que se tem permitido e justificado tudo, principalmente o pior, principalmente o mais horrendo e cruel. Durante séculos a Inquisição foi, ela também, como hoje os talebanes, uma organização terrorista que se dedicou a interpretar perversamente textos sagrados que deveriam merecer o respeito de quem neles dizia crer, um monstruoso conúbio pactuado entre a religião e o Estado contra a liberdade de consciência e contra o mais humano dos direitos: o direito de dizer não, o direito à heresia, o direito a escolher outra coisa, que isso só a palavra heresia significa.

E, contudo, Deus esta inocente. Inocente como algo que não existe, que não existiu nem existirá nunca, inocente de haver criado o universo inteiro para colocar nele seres capazes de cometer os maiores crimes para logo virem justificar-se dizendo que são celebrações do seu poder e da sua glória, enquanto os mortos se vão acumulando, estes das torres gêmeas de Nova York, e todos os outros que, em nome de um Deus tornado assassino pela vontade e pela ação do homem, cobriram e teimam em cobrir de terror e sangue as páginas da história. Os deuses, acho eu, só existem no cérebro humano, prosperam ou definham dentro do mesmo universo que os inventou, mas o “fator Deus”, esse, está presente na vida como se efetivamente fosse o dono e o senhor dela. Não é um deus, mas o “fator Deus” o que se exibe nas notas de dólar e se mostra nos cartazes que pedem para a América (a dos Estados Unidos, não a outra...) a bênção divina. E foi o “fator Deus” em que o deus islâmico se transformou, que atirou contra as torres do World Trade Center os aviões da revolta contra os desprezos e da vingança contra as humilhações. Dir-se-á que um deus andou a semear vento e que outro deus responde agora com tempestades. É possível, é mesmo certo. Mas não foram eles, pobres deuses sem culpa, foi o “fator Deus”, esse que é terrivelmente igual em todos os seres humanos onde quer que estejam e seja qual for a religião que professem, esse que tem intoxicado o pensamento e aberto as portas às intolerâncias mais sólidas, esse que não respeita senão aquilo em que manda crer, esse que depois de presumir Ter feito da besta um homem acabou por fazer do homem uma besta.

Ao leitor crente (de qualquer crença...) que tenha conseguido suportar a repugnação que estas palavras provavelmente lhe inspiraram, não que se passe ao ateísmo de quem as escreveu. Simplesmente lhe rogo que compreenda, pelo sentimento de não poder ser pela razão, que, se há Deus, há só um Deus, e que, na sua relação com ele, o que menos importa é o nome que lhe ensinaram a dar. E que desconfie do “fator Deus”. Não faltam ao espírito humano inimigos, mas esse é um dos mais pertinazes e corrosivos. .
Como ficou demonstrado e desgraçadamente continuará a demonstrar-se.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

O Diabo como você nunca viu

O Diabo, não sei se acredito nele, às vezes não. O Diabo por definição seria a personificação de todo o mal. O que me pergunto é se ele(Diabo) não foi criado pelos homens, à fim de redimir suas próprias culpas.

O homem têm uma necessidade inconsciente(as vezes sim, as vezes não) de culpar os outros pelos seus próprios problemas. Então diante disso me tenho me perguntado: Seria o Diabo real, ou apenas um espantalho?

Na verdade, essa resposta se faz ineficaz, e no fundo pouco importa. Se você acredita que o Diabo existe , tome cuidado e não faça o que ele(Diabo) quer.

Mas se você acredita que ele é apenas uma marionete e que é usado para ser culpado de toda maldade que é natural (ainda que inconsciente) do ser humano. Então de certa forma o diabo existe, ele não é um espírito muito malvado que tudo destrói, ele é o ser humano.

Como eu disse , tanto faz, se o Diabo é um demônio (um capetão malvadão, de pele vermelha, com chifres que cuspa fogo e que gosta de possuir as pessoas) ou se ele é uma forma do homem fugir de suas responsabilidades e botar a culpa em outro por seus próprios atos.

O fato é que a Maldade está aí, nas ações dos homens, não precisa nem procurar exemplos, é só ligar a TV num noticiário qualquer, e com certeza você vai saber do que estou falando. E é esse mau que nós devemos reprimir ( não é a palavra ideal, mas não encontrei uma melhor...).

Muitas vezes fazemos o mau sem saber , outras vezes não, então a partir de hoje preste mais atenção no que você faz e acima de tudo, faça o seu melhor praticando o bem.

sábado, 28 de maio de 2011

O Pálido ponto azul (partes 1 e 2)

Depois que eu passei a pesquisar mais sobre astronomia, eu percebi que ela me ensinou muito sobre humildade.Ela nos mostra o quão o universo é grande, e nós pequeninos. Mas que mesmo dentro da nossa pequenez ainda assim somos muito e podemos ser muito mais.

Compartilho então com vocês esses vídeos que corroboram com o que penso. Vídeos narrados pelo lendário Carl Sagan.

Nós estamos aqui: O Pálido Ponto azul




O Pálido ponto azul 2